Comissão retomará debates do PNE

02/02/2012 13:03

Comissão retomará debates do PNE; expectativa é votar proposta em março

O ponto mais polêmico da discussão é o percentual de recursos a ser investido pelo Poder Público em educação. Relator ainda não definiu, no entanto, a data para apresentação de um novo parecer sobre a proposta.

O Plano Nacional de Educação (PNE - PL 8035/10), com as metas do setor para os próximos dez anos, está na pauta de discussões da Câmara no início de 2012. O projeto, que foi enviado ao Congresso pelo Executivo em dezembro de 2010, já está sendo debatido há mais de um ano pelos deputados da comissão especial destinada ao tema. Segundo o relator da comissão, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), o projeto pode ser votado até meados de março.

Arquivo/ Reinaldo Ferrigno
Angelo Vanhoni
Vanhoni quer conciliar demandas do governo e da oposição.

Vanhoni vai apresentar uma segunda versão de substitutivo à proposta, em data a ser definida. No novo texto, ele quer tentar conciliar os pontos de vista do governo, da oposição, de movimentos sociais, de representantes dos estados e de acadêmicos em relação ao tema.

O objetivo é que o texto seja aprovado pela comissão especial e siga diretamente para o Senado. Em caso de divergência, pode haver recurso para que o tema vá ao Plenário da Câmara.

Financiamento do setor
A maior polêmica da proposta é a meta de financiamento público do setor. Hoje, União, estados e municípios aplicam, juntos, 5% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. O governo havia sugerido o aumento desse índice para 7% em uma década, mas entidades da sociedade civil pedem pelo menos 10%.

Em seu primeiro relatório, apresentado em dezembro, Vanhoni fixou uma meta intermediária, de 8% de investimento total (que inclui bolsas de estudo e financiamento estudantil) – o que, de acordo com o relator, equivale a cerca de 7,5% do PIB, levando-se em conta o parâmetro anterior.

Para o secretário de Educação de Goiás, deputado federal licenciado Thiago Peixoto (PSD), o valor não atende às expectativas do setor. Ele afirma que esse percentual, além de baixo, não está dividido por ente federado. Peixoto representa o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) nas discussões sobre o PNE.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep, autarquia ligada ao Ministério da Educação), dos 5,7% do PIB de investimento público total em educação atual, a União contribui com 1,2%, enquanto estados e municípios atuam com aproximadamente 2,4% e 2,2%, respectivamente.

Metas específicas
Para Thiago Peixoto, o PNE deveria prever metas de financiamento específicas para cada ente. “Hoje, estados e municípios estão sobrecarregados. Não importa qual percentual será adotado se a responsabilidade de cada ente não for definida. Do jeito que está, há o risco de a meta não ser cumprida”, alertou.

Para a diretora-executiva da entidade não governamental Todos Pela Educação, Priscila da Cruz, o governo deveria se comprometer a investir pelo menos 7% do PIB no setor já no final de 2014. “Ainda não há um estudo definitivo sobre a meta necessária para a melhoria do setor. O que é muito claro é que, sem gestão eficiente, qualquer valor não vai ter os resultados esperados. É nisso que o PNE deveria se concentrar”, ponderou.

Reportagem – Carolina Pompeu
Edição – Pierre Triboli - Foto: Arquivo/Reinaldo Ferrigno
Agência Câmara de Notícias
 
 


 

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